O cenário político do Distrito Federal assistiu, nesta quarta-feira, a um realinhamento de forças que redefine os rumos do Palácio do Buriti. Ao rebater as críticas públicas do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), a governadora Celina Leão (PP) consolidou sua liderança ao adotar uma postura de firmeza institucional e autonomia administrativa, sintetizada em uma frase que ecoou fortemente nos bastidores: “sucessão não é submissão”.
O desentendimento público começou após uma reunião da cúpula emedebista, na qual Ibaneis manifestou insatisfação com os rumos da atual gestão. A resposta de Celina, contudo, evitou o tom puramente corporativo e focou na realidade prática enfrentada pelos brasilienses: a necessidade urgente de arrumar a casa e blindar as instituições públicas de crises passadas. Aliados da governadora apontam que sua condução à frente do Executivo local tem sido pautada pelo pragmatismo e pela transparência.
Diante de um cenário financeiro desafiador e do desgaste provocado pelas investigações envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB) e o Banco Master, Celina optou por blindar o GDF de passivos políticos que não pertencem à sua gestão. Ao declarar que “cada um responde pelo seu CPF”, em ocasião anterior , a chefe do Executivo já demonstrava respeito ao eleitorado que exige moralidade administrativa.
Fontes governistas reforçam que as mudanças operadas no secretariado e a reestruturação visual do governo não são caprichos, mas sim a construção de uma identidade focada em entregas, e não em heranças políticas. Diferente da narrativa de ruptura abrupta tentada por opositores, interlocutores de Celina lembram que sua trajetória sempre foi marcada pela lealdade partidária e institucional nos momentos mais críticos do DF.
No entanto, o exercício do cargo de governadora exige escolhas técnicas que, eventualmente, contrariam interesses de apadrinhados políticos. A postura adotada hoje sinaliza que o Buriti não será submetido a pressões externas ou a exigências antecipadas de composição de chapa para o Senado. Ao priorizar o equilíbrio das contas públicas e a governabilidade, Celina Leão se posiciona não apenas como candidata natural à reeleição, mas como uma gestora que prioriza o futuro do Distrito Federal acima de arranjos partidários.