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Distrito Federal

Escândalo do Banco Master atinge o STF e redefine alvos da crise política

Amarildo Mota

Públicado

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Veja o lamaçal que está se tornando esse rumoroso caso do Banco Master, onde a oposição, a todo custo, tenta envolver o governador Ibaneis Rocha no sentido de obter dividendos eleitorais para as próximas eleições, já fadada a derrota. Com novas evidências apontando para transações milionárias ligadas a ministro da Corte, o foco das críticas muda de direção.

O caso do Banco Master, investigado por uma fraude que chega a bilhões de reais, ganhou um novo e contundente capítulo nesta semana. Dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal, revelaram transações financeiras de grande monta, envolvendo empresas ligadas a familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. As informações constam de relatório entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, e já provocaram a renúncia de Toffoli à relatoria do inquérito que trata do caso no STF.

As mensagens recuperadas indicam pagamentos de ao menos R$ 20 milhões à empresa Maridt, da qual o ministro é sócio, e mencionam a atuação de seu cunhado, Fabiano Zettel nas operações. O desenvolvimento das investigações expõe pela primeira vez de forma concreta o envolvimento de uma alta autoridade do Judiciário no escândalo, que antes concentravam suspeitas sobre instituições financeiras públicas como o Banco de Brasília (BRB) e o governo do Distrito Federal.

A guinada nas investigações provocou uma mudança perceptível no tom do debate político em Brasília. Nos últimos meses, parlamentares da oposição no DF, como o ex-candidato a governador Leandro Grass (PT) e o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB), mantiveram uma campanha agressiva contra o governador Ibaneis Rocha (MDB), com pedidos de impeachment e críticas direcionadas à gestão do BRB.

No entanto, após a divulgação das supostas conexões entre o esquema e o ministro Toffoli ,  jurista historicamente associado a causas progressistas e nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ,  as mesmas vozes adotaram uma postura mais reservada. O tema, que antes dominava discursos e publicações nas redes sociais, foi praticamente abandonado, sem menções às novas implicações do caso.

O que começou como uma investigação sobre desvios em uma instituição financeira privada com ramificações em um banco público local, transformou-se em uma crise de proporções sistêmicas. Além das transações com a Maridt, as autoridades apuram negócios imobiliários de alto valor, como a venda de um resort no Paraná a um fundo vinculado a Vorcaro, operação que também, supostamente, envolve empresas de familiares de outros integrantes do STF.

O relatório da PF descreve um esquema com “tentáculos” que alcançam diferentes esferas dos Três Poderes, configurando um cenário de corrupção de larga escala. A complexidade e o alcance das operações colocam em xeque narrativas políticas simplificadas e expõem a dificuldade de setores da oposição em manter um discurso coerente quando as suspeitas atingem figuras de seu próprio campo de influência.

Enquanto as investigações avançam, a sociedade acompanha a capacidade das instituições e da própria classe política de enfrentar um escândolo que, longe de ser um episódio isolado, reflete desafios profundos de transparência e integridade na esfera pública nacional.

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