Neste momento, representantes do Ministério da Saúde participam de entrevista online para lançar nova estratégia voltada à saúde mental da população brasileira no contexto da pandemia. Um balanço das ações voltadas aos profissionais de saúde também será apresentado.
Acompanhe ao vivo
Em maio, o Ministério da Saúde começou um levantamento para avaliar a saúde mental da população durante o pandemia do novo coronavírus. O questionário, disponível na internet, tinha o objetivo de rastrear a existência de depressão, ansiedade e estresse na população brasileira, e subsidiar políticas públicas nas unidades de atenção psicossocial.
O serviço funciona por meio de teleconsulta para médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, biomédicos e farmacêuticos que estão envolvidos no enfrentamento da doença. O canal telefônico do serviço será divulgado em maio.
“Serviços de saúde mental são essenciais para a resposta contra a covid-19 e, em última instância, para o processo de reconstrução. Devemos agir para que aqueles que vivem com problemas de saúde mental, assim como os sobreviventes de violência, recebam o apoio que necessitam”, afirmou Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Segundo dados levantados pela instituição, aflições mentais como ansiedade e depressão atingiram um pico inédito nas Américas. O estresse imposto pela quarentena, pelo isolamento social e pela possibilidade de contágio foram elementos-chave para o aumento. “A pandemia de covid-19 causou uma crise de saúde mental em uma escala que nunca vimos antes”, explicou a diretora.
Impedidas de frequentar a escola, a rua e os parquinhos, crianças podem sofrer estresse emocional durante o período de isolamento social. O psicólogo clínico Danilo Lima Tebaldi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), diz que os pais precisam prestar atenção a alguns sinais e sintomas que podem surgir no decorrer do tempo. “Os pais devem ficar atentos a qualquer mudança de comportamento dos filhos, ou seja, comportamentos que antes a criança não apresentava e passou a apresentar, tais como agressividade, comportamento inquieto e/ou agitado, presença de medos infundados e aspectos regredidos de comportamento [como chupar o dedo].”
A psicóloga Célia Fernandes, da Enfoque Clínica de Psicologia em Brasília, recomenda a organização e o estabelecimento de regras sobre a divisão do tempo e do espaço que permitam o trabalho e a rotina de descanso. Para quem tem filhos, é importante dar atenção às crianças e ao lazer infantil. Já para adultos, é importante incluir na rotina a realização de atividades de interesse pessoal, como estudo, leitura ou diversão – como assistir filmes e até maratonar diversos episódios das séries preferidas. “Como já ocorria em finais de semana. Precisamos adotar medidas comuns, já que vamos passar mais tempo juntos.”
Ela alerta, entretanto, que, a despeito de combinados caseiros, o confinamento traz dificuldades adicionais. “O confinamento vai sim agravar o estado emocional daquelas pessoas que já tinham algum transtorno ou distúrbio emocional, como são os casos das ansiedades e vai gerar conflitos entre as pessoas que não tinham o hábito de ficar tanto tempo em família”.