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Distrito Federal

Ex-presidente Michel Temer critica uso político do carnaval e alerta sobre retrocesso econômico

Amarildo Mota

Públicado

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Foto/Marcelo Casal Jr./ Agência Brasil

 

Em meio ao clima de folia e celebração, uma voz dissonante ecoa do cenário político brasileiro. Michel Temer, ex-presidente da República e reconhecido jurista. Michel Temer é advogado, constitucionalista, com doutorado pela PUC-SP,  autor de várias obras sobre direito constitucional, reagiu publicamente ao desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado no Sambódromo da Sapucaí, que teve como tema um apoio explícito à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Temer, cuja trajetória é mais frequentemente associada ao universo jurídico e à vida parlamentar do que aos holofotes culturais, ele  também é poeta, expressou profunda decepção com o que classificou como uma “substituição da crítica social pela bajulação política” no maior palco do carnaval carioca. Para o ex-mandatário, o evento simbolizou uma guinada preocupante no debate público.

Em suas declarações, o ex-presidente direcionou críticas contundentes à gestão econômica atual, utilizando a metáfora do “ilusionismo” para descrever políticas que, em sua avaliação, mascaram uma realidade de descontrole. “É lamentável quando se pratica o ilusionismo nos corredores do poder, incentivando a irresponsabilidade fiscal enquanto se convive com juros elevados e uma dívida pública em expansão”, afirmou Temer.

Ele foi além, ao lamentar o que enxerga como um movimento de desconstrução de avanços institucionais. O ex-presidente citou especificamente as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência, marcos de seu governo, como conquistas que estariam sendo “negligenciadas ou desprezadas” pela atual administração.

A fala mais emblemática de Temer resumiu seu desapontamento em uma mensagem poderosa e melancólica. “É triste testemunhar a troca de um projeto que era uma ponte para o futuro por um caminho que parece ser uma volta ao passado”, declarou, em clara referência ao lema de seu próprio governo e a uma percepção de que o país estaria revertendo conquistas recentes.

A reação do ex-presidente destaca a intensificação do embate político no período pré-eleitoral, que agora invade até mesmo os tradicionais espaços de cultura e festividade, como é o carnaval brasileiro. A crítica de Temer vai além da mera oposição partidária, tocando em questões sobre o papel das manifestações culturais e a narrativa em torno da memória e do progresso nacional.

Enquanto a Sapucaí se prepara para coroar seus campeões, a intervenção de Michel Temer insere um contraponto sério e técnico na euforia carnavalesca, reacendendo debates sobre rumos econômicos, legados reformistas e os limites entre celebração popular e propaganda política.

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