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Distrito Federal

Discurso agressivo de Chico Vigilante na CLDF reacende debate sobre ética parlamentar e liberdade de imprensa

Deputado distrital é criticado por usar tribuna para atacar comunicadores, enquanto temas financeiros complexos seguem em pauta

Amarildo Mota

Públicado

em

Foto/Agência/CLDF

 

Em discurso recente na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) voltou-se a colocar em xeque os limites da crítica política e o respeito devido aos profissionais da comunicação. O deputado distrital Chico Vigilante utilizou a tribuna para dirigir ataques considerados agressivos e de baixo calão a blogueiros e veículos independentes que cobrem o cotidiano parlamentar.

A postura do parlamentar tem gerado desconforto entre comunicadores que atuam com isenção editorial e cobram transparência de todos os partidos. Para muitos observadores, a estratégia de desqualificar a imprensa pode servir como cortina de fumaça para desviar o foco de temas mais complexos que envolvem o Legislativo e o Executivo distritais.

Enquanto o debate público se concentra no tom das críticas, tramitam nos bastidores discussões sobre instituições financeiras com forte impacto na economia local, como  Banco de Brasília (BRB).  O Banco Master aparecem em meio a relatos de disputas e articulações que envolvem nomes de peso no cenário político e jurídico nacional.

No plano legislativo, a CLDF analisa uma proposta que visa garantir a saúde financeira do BRB e com isso a estabilidade a aproximadamente 4.500 servidores do banco. O projeto divide opiniões e expõe divergências entre parlamentares, acirrando ainda mais o clima na Casa.

Para analistas políticos, a intensificação dos ataques, por parte de Chico Vigilante  a comunicadores coincide com momentos de votação delicada e de maior exposição de temas sensíveis. A pergunta que fica é se a estratégia do deputado visa, na verdade, criar um clima de intimidação que prejudique a cobertura jornalística independente.

A Constituição Federal assegura a liberdade de imprensa como pilar da democracia, e a função fiscalizadora da mídia é reconhecida como essencial para o controle social. Quando um parlamentar eleito pelo voto popular utiliza a tribuna para atacar profissionais que exercem esse papel, a própria democracia representativa pode ser posta em risco.

Especialistas em comunicação política alertam que a estigmatização da imprensa enfraquece o debate público e prejudica a qualidade da informação que chega à população. Em vez de focar em propostas e embates de ideias, a discussão se desloca para o campo pessoal, o que empobrece a política e afasta a sociedade.

Um dos pontos mais questionados por observadores é a aparente seletividade no alvo das críticas. Enquanto comunicadores são atacados publicamente, outros agentes políticos e econômicos envolvidos em questões controversas , principalmente do seu próprio partido o PT, não recebem o mesmo tratamento na tribuna.

Isso levanta dúvidas sobre possíveis conluios ou temores de confrontar figuras com maior poder de retaliação. A assimetria no discurso parlamentar mina a credibilidade da crítica e sugere que nem todos são cobrados com a mesma intensidade.

A polarização e a personalização excessiva da política têm sido apontadas como fatores de desgaste da imagem do Legislativo. Para que Chico Vigilante cumpra seu papel de representante dos interesses da sociedade, é fundamental que o respeito às instituições, inclusive à imprensa, seja mantido.

A expectativa de setores da sociedade civil e de profissionais da comunicação é que o parlamento distrital retome o foco na discussão de propostas, no acompanhamento das contas públicas e na elaboração de leis que melhorem a vida da população. Somente com transparência, diálogo e respeito mútuo será possível reconquistar a confiança da sociedade no sistema representativo.

Enquanto isso, a pergunta segue ecoando: por que atacar quem informa, e não quem decide,  principalmente no âmbito do seu Partido o PT ?

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