Foto/Divulgação/Ricardo Stuckert/PR
O tradicional grito de campanha “Olê, olê, olê, olá / Lula, Lula” ecoou na Marquês de Sapucaí neste domingo (15/02), convertido em refrão do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói. A escola, que abriu os desfiles do grupo especial do Rio de Janeiro, dedicou sua apresentação à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inserindo a política no coração da maior festa popular do país.
A letra do samba faz alusões diretas à simbologia petista, mencionando o número 13, correspondente ao partido nas urnas, ao narrar a viagem de infância do presidente: “treze noites, treze dias” para migrar de Pernambuco a São Paulo. Também inclui uma crítica velada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com os versos: “Assim que se firma a soberania / Sem mitos falsos, sem anistia”.
A decisão de homenagear Lula em ano eleitoral gerou reações imediatas. Parlamentares alinhados ao bolsonarismo acusaram a escola de fazer campanha antecipada e questionaram o uso de recursos públicos no financiamento do desfile. A Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 1 milhão do governo federal, valor igual ao repassado às outras doze agremiações do grupo especial. Somando repasses estaduais e municipais, o custo público do Carnaval carioca pode chegar a cerca de R$ 10 milhões.
A tentativa do partido Novo de barrar a apresentação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi rejeitada na quinta-feira (12/2). A Corte entendeu que proibir o enredo configuraria censura prévia. No entanto, os ministros alertaram para o risco de práticas irregulares durante o desfile, o que poderia resultar em responsabilização eleitoral futura.
“É um ambiente muito propício a que haja excessos, abusos e ilícitos. A festa popular do Carnaval não pode ser uma fresta para ilícitos eleitorais”, afirmou a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia. Ela destacou que a presença anunciada de Lula no evento aumenta a probabilidade de infrações, as quais, segundo ela, serão devidamente apuradas pela Justiça Eleitoral.
A participação do presidente no desfile, portanto, coloca sob holofotes não apenas a celebração carnavalesca, mas também os limites entre cultura, festa e propaganda política fora de época em um ano decisivo para o país. Agora é esperar para ver.