“Depende do estágio em que é administrada e da quantidade. Ninguém aqui fala sobre cura,
, e sim de uma maneira de prevenir que os pacientes evoluam para um estado grave”, explica o chefe do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde, Mike Ryan.
No mundo, há mais de 90 estudos clínicos sendo realizados com a cloroquina. Em entrevista à BBC, Kome Gbinigie, pesquisador da Universidade de Oxford e autor de um estudo sobre o uso da cloroquina contra o coronavírus, reconhece que ainda falta informação. “Precisamos de estudos clínicos maiores, de melhor qualidade, randomizados (com uso de placebo) para avaliar melhor a efetividade”, explica.
Um estudo publicado na última quinta (09/04) na
revista científica BMJ, uma das mais conceituadas do mundo, afirma que os métodos de pesquisa usados até agora são “pobres”. “O uso desta droga é prematuro e pode trazer danos”, escrevem os cientistas britânicos das universidades de Oxford e Birmingham, na publicação. “Até agora, exceto por medidas de suporte, a infecção do Sars-CoV-2 é ‘essencialmente intratável’”, dizem.
No Brasil, por enquanto, o uso foi liberado apenas para pacientes críticos e graves, que estejam hospitalizados. A cloroquina tem alguns efeitos colaterais que precisam ser monitorados em ambiente hospitalar. A arritmia é um delas: como a maioria dos pacientes internados pela Covid-19 tem alguma cardiopatia, é preciso acompanhamento próximo de um profissional de saúde.
Também foram relatados efeitos adversos como perda da visão periférica, fortes dores de cabeça e cólicas. A Suécia, inclusive, desistiu de testar a cloroquina por considerar que o benefício não supera esses fatores.
Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, a porcentagem ainda é muito próxima e não denota uma melhora convincente para justificar o uso. O levantamento segue sendo feito até que se chegue a resultados definitivos. A única conclusão até agora é que doses de 10 g apresentam maior toxicidade e não são seguras: a opção é seguir com metade dessa dose.
De acordo com Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, no Brasil, nove medicamentos estão sendo testados para avaliar a eficácia contra o Sars-Cov-2: cloroquina, hidroxicloroquina com azitromicina e apenas hidroxicloroquina (uma versão com menor toxicidade do que a cloroquina) estão entre os protocolos de pesquisa.
Por enquanto, o coronavírus segue sem cura. É preciso esperar a ciência para bater o martelo sobre o tratamento com a cloroquina, ou qualquer outro medicamento
Fonte: Metrópoles