Por: Amarildo Mota
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), recuou, por enquanto, da implantação de medidas mais restritivas contra o coronavírus. Ele havia anunciado que baixaria um decreto com normas mais “rígidas”, mas, nesta quinta-feira (14), reclamou que não teve apoio para realizar as mudanças, afirmou que segue aberto ao diálogo e que não adianta “fazer um decreto por fazer”.
“Estamos construindo uma alternativa (…) Um decreto tem que ter participação do governo, das entidades de classe, dos prefeitos, das autoridades e o sentimento da população. Não vale a pena fazer um decreto por fazer decreto”, afirmou em entrevista à TV Anhanguera.
Agora, o governador mudou o tom. Não disse que não irá publicar um novo decreto, mas alegou que o documento não pode ser “letra morta”. Caiado afirmou que não editaria novas regras sem consultar todos os envolvidos. Nesse sentido, ele disse que o estado não pode arcar com todas as responsabilidades.
“Não é apenas sobre o estado de Goiás a responsabilidade. Se está desempregado, a culpa é do governo. Não tem leito de UTI e o paciente morreu, a culpa é do governo. Aí não dá. Todas as pessoas têm que ter uma responsabilidade de compartilhar isso”, criticou.
“O que tenho feito é conversar. O que adianta um decreto sem apoio dos prefeitos? […] O que vai resolver o governador sem que haja prefeitos, autoridades, lideranças políticas e lideranças empresariais envolvidos no processo?”, questionou.
Usando números, Caiado falou sobre a piora da situação de Goiás em relação à contaminação por coronavírus. Ele lembrou o primeiro decreto publicado em relação ao tema, em 12 de março, e disse que, na época, tinha apoio maciço da população, o que, segundo ele, não ocorre atualmente
“Quando decretamos e publicamos o primeiro decreto, de 12 de março, até atingirmos 100 casos demorou um período de 39 dias. Só ontem [terça-feira, 13], nós ultrapassamos 100 casos por dia. Tínhamos menos de um óbito por dia. Ontem, nós tivemos nove casos. Hoje estamos colhendo exatamente aquilo que nós plantamos”, destacou.
Fonte g1