A discussão sobre o atendimento oncológico no Brasil voltou ao centro do debate público neste sábado (9), após declarações da senadora Damares Alves durante participação no programa Vozes da Comunidade. Ao comentar a realidade enfrentada por pacientes que aguardam tratamento pelo SUS, a parlamentar afirmou que o principal obstáculo não está na falta de profissionais, mas na ausência de prioridade por parte do poder público.
Segundo Damares, o país possui equipes médicas preparadas e especialistas reconhecidos; porém, o câncer ainda não recebe a atenção necessária dentro das políticas públicas de saúde. Para ela, o tema deveria ocupar posição central nas decisões dos gestores devido ao impacto da doença no país.
A senadora relatou que passou a enxergar de forma ainda mais profunda os desafios da oncologia brasileira após enfrentar pessoalmente o diagnóstico da doença. Ela contou que, desde então, passou a receber mensagens de médicos, pesquisadores e profissionais da saúde de diferentes estados, apresentando experiências e iniciativas desenvolvidas no atendimento a pacientes com câncer.
Durante a entrevista, Damares afirmou que a vivência pessoal acabou impulsionando discussões no Congresso Nacional sobre prevenção e diagnóstico precoce. Entre os avanços citados por ela, está a mudança nas regras relacionadas à mamografia na rede pública.
A parlamentar lembrou que, anteriormente, o exame era ofertado obrigatoriamente apenas para mulheres a partir dos 50 anos, situação que, segundo ela, limitava a possibilidade de identificação precoce da doença. Após as discussões no Senado, houve mudança na legislação, e a faixa etária passou a alcançar mulheres a partir dos 40 anos.
Ela também destacou que mulheres mais jovens, especialmente aquelas que possuem histórico familiar de câncer de mama, podem buscar avaliação médica e encaminhamento especializado pelo sistema público de saúde.
Ao longo da conversa, Damares demonstrou incômodo com o fato de o tema só ganhar maior repercussão após experiências pessoais de figuras públicas. Para a senadora, o enfrentamento ao câncer precisa deixar de ser tratado como pauta secundária dentro da saúde pública brasileira.
Outro ponto abordado foi a ampliação do acesso a tratamentos modernos no SUS. A parlamentar citou discussões recentes envolvendo a imunoterapia e afirmou que o Senado passou a debater medidas voltadas à modernização das políticas de atendimento oncológico.
Segundo Damares, o avanço no combate à doença depende de decisões políticas mais firmes, investimentos contínuos e prioridade real na estrutura pública de saúde.