O advogado William Ferreira, Secretario Extraordinário da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal, foi o entrevistado do Programa Vozes da Comunidade nessa sexta-feira (18/09) apresentado pelo jornalista Tony Duarte e jornalistas convidados.
O secretário falou das dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência tendo como parâmetro sua própria experiência. Ele tem baixa visão desde os 11 anos, quando sofreu um acidente de carro, e passou por um processo de reabilitação em Brasília.
“Hoje faz 37 anos que vivencio na pele o dia a dia de uma pessoa com deficiência”, afirmou em entrevista.
William saiu do interior de Goiás para Brasília em busca de reabilitação e passou pelo Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, na L2 Sul. Para ele, conviver com outras pessoas com deficiência foi importante para conhecer limitações, direitos e deveres.
Não dirige, utiliza ônibus com dificuldade e, em determinadas situações, precisa da ajuda de terceiros. Essa experiência, segundo ele, também está presente na maneira como conduz a Secretaria da Pessoa com Deficiência do DF.
Informação
Ao falar sobre as principais dificuldades enfrentadas atualmente, William cita mobilidade, saúde, educação e moradia, mas aponta outra questão como a primeira barreira: a falta de informação.
“A maior dificuldade que nós, pessoas com deficiência, enfrentamos é a falta de informação, porque a informação transforma”, afirmou.
Ele lembra que começou a trabalhar como empacotador em uma rede varejista, depois passou por uma rede hospitalar, atuou em instituições de defesa de direitos e cursou Direito.
“Eu digo que a primeira barreira que eu venci na minha vida foi ter acesso a informações com qualidade”, disse.
Para o secretário, a mobilidade continua sendo um problema, seja para uma pessoa com deficiência visual que utiliza bengala ou para um cadeirante que precisa de acessibilidade. Mas conhecer os próprios direitos também é parte da inclusão.
Habitação
William cita a política habitacional como exemplo. Segundo ele, uma pessoa com deficiência pode permanecer anos em uma fila específica, conseguir a indicação para um apartamento e encontrar o problema justamente na etapa do financiamento.
Ele relata situações em que a instituição financeira não libera o financiamento para beneficiários do BPC.
“Eu deixei ela na fila cinco anos e ela foi para a parte de financiamento. Quando chegou na instituição financeira, a instituição fala: ‘Eu não libero financiamento para quem é beneficiário do Benefício de Prestação Continuada’. Aí eu faço uma pergunta: adiantou eu deixar essa pessoa na fila cinco anos? Absolutamente nada”, afirmou.
O secretário também citou o Auxílio-Inclusão como mecanismo previsto para incentivar a entrada no mercado de trabalho de beneficiários do BPC que atendam aos critérios estabelecidos.
Cadastro
A secretaria mantém um cadastro próprio de pessoas com deficiência. Segundo William, aproximadamente 118 mil pessoas já procuraram o órgão para realizar o procedimento. Cerca de 70 mil foram homologadas após as análises administrativa e médica.
Outras ainda têm pendências e aproximadamente 25 mil pessoas começaram o cadastro, mas não o concluíram.
William afirma que o número que atualmente mais se aproxima da realidade do Distrito Federal é de aproximadamente 173 mil pessoas com algum tipo de deficiência.
Ceilândia é apontada pelo secretário como a região com maior demanda pelos serviços. Nas ações itinerantes, realizadas com outros órgãos, a cidade também concentra atendimentos e entrega de carteiras de identificação.
Trabalho
Na área profissional, a secretaria trabalha atualmente com cerca de 120 empresas cadastradas, em parceria com o Ministério Público do Trabalho.
Uma parceria com o Senac foi criada para atender candidatos que passam por processos seletivos, mas precisam de uma capacitação adicional exigida pela empresa.
William dá o exemplo de um advogado aprovado para uma vaga e que, posteriormente, descobre que precisa ter conhecimento avançado de Excel. Nesse caso, o candidato pode ser encaminhado para capacitação e retornar à empresa preparado para a função.
Para o secretário, a inclusão profissional não termina na contratação.
“Quando a gente fala inclusão profissional, você se preocupa desde o processo seletivo até a permanência”, afirmou.