A proteção contra a meningite começa ainda nos primeiros meses de vida e envolve diferentes vacinas disponíveis gratuitamente na rede pública de saúde. No Distrito Federal, mais de 170 unidades básicas de saúde (UBSs) oferecem imunizantes capazes de prevenir infecções provocadas por alguns dos principais agentes relacionados à doença.
A meningite ocorre quando as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal ficam inflamadas. Bactérias, vírus e fungos estão entre os possíveis causadores, o que explica a necessidade de diferentes estratégias de prevenção. Por isso, manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das principais recomendações para reduzir os riscos.
A imunização não se restringe às vacinas que têm o meningococo como principal alvo. Doses previstas no calendário desde o nascimento também ajudam a prevenir doenças que podem atingir o sistema nervoso.
A BCG, por exemplo, é administrada em dose única ao nascer e protege contra formas graves da tuberculose, entre elas a meningite tuberculosa. Já a pentavalente, aplicada aos 2, 4 e 6 meses, oferece proteção contra o Haemophilus influenzae tipo b (Hib), bactéria que pode provocar meningite e outras infecções invasivas.
Também fazem parte da estratégia as vacinas contra o pneumococo. Durante a transição dos imunizantes, o esquema estabelece a aplicação da pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20) aos 2 meses, da VPC10 aos 4 meses e de uma nova dose da VPC20 aos 12 meses. A proteção abrange sorotipos do Streptococcus pneumoniae associados à meningite e a outras infecções.
Contra a doença meningocócica, as crianças recebem a meningocócica C conjugada aos 3 e 5 meses. Aos 12 meses, a meningocócica ACWY é administrada como reforço e protege contra os sorogrupos A, C, W e Y.
Outra vacina prevista no calendário é a tríplice viral, administrada aos 12 e 15 meses. Embora seja destinada à proteção contra sarampo, caxumba e rubéola, também contribui para prevenir situações em que essas doenças podem ter a meningite como complicação.
A prevenção continua na adolescência. Dos 11 aos 14 anos, a meningocócica ACWY é indicada de acordo com as doses recebidas anteriormente. Adolescentes que ainda não foram imunizados com a meningocócica C ou ACWY podem receber uma dose. Para aqueles que já tomaram pelo menos uma delas, a ACWY pode ser administrada como reforço.
Apesar da proteção proporcionada pelos imunizantes, a vacinação não elimina todas as possibilidades de ocorrência da doença. Isso acontece porque a meningite pode ser provocada por diferentes agentes, e nem todos são contemplados pelas vacinas existentes. A imunização, no entanto, reduz a circulação dos agentes contra os quais oferece proteção e diminui o risco de quadros graves.
A identificação rápida de um caso também desempenha papel importante no controle da transmissão. Por ser uma doença de notificação compulsória, toda suspeita deve ser comunicada aos serviços de vigilância em saúde para investigação.
Após a identificação do agente causador, as equipes avaliam se outras providências precisam ser adotadas. Conforme o tipo de meningite e as circunstâncias do caso, pessoas que tiveram contato próximo com o paciente podem ser acompanhadas e, quando houver indicação, receber medicamentos de forma preventiva por meio da quimioprofilaxia.
O registro de uma ocorrência isolada não significa automaticamente a existência de um surto. Como a doença é considerada endêmica tanto no Brasil quanto no Distrito Federal, casos podem surgir ao longo do ano. Para avaliar o cenário, a vigilância epidemiológica considera fatores como período, local, agente identificado e eventual ligação entre as ocorrências.
Entre as meningites bacterianas estão aquelas provocadas por Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Já as virais ocorrem com maior frequência e costumam apresentar evolução benigna na maioria dos pacientes, embora também possam causar complicações.
Alguns sinais exigem atenção imediata. Febre, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos, confusão ou alteração mental, convulsões, sensibilidade à luz e erupções na pele podem estar associados à meningite. A recomendação é procurar atendimento médico diante de sintomas compatíveis, especialmente porque as formas bacterianas podem evoluir rapidamente.
Além de manter a vacinação em dia, medidas simples ajudam a diminuir a exposição aos agentes capazes de provocar a doença. Lavar as mãos frequentemente, manter os ambientes ventilados, cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar e evitar compartilhar copos, garrafas, pratos e talheres estão entre os cuidados recomendados. Também é importante evitar o contato direto com secreções respiratórias e saliva de pessoas doentes.
As vacinas estão disponíveis em mais de 170 UBSs espalhadas pelo Distrito Federal. A orientação é conferir o histórico de imunização e buscar uma unidade de saúde para atualizar as doses previstas para cada idade.