O afastamento do trabalho durante o tratamento contra o câncer pode transformar despesas básicas em uma preocupação para pacientes que já enfrentam uma rotina de consultas, exames e procedimentos médicos. No Distrito Federal, uma iniciativa tenta reduzir parte desse impacto, garantindo alimentos a quem enfrenta a doença em situação de vulnerabilidade.
Atualmente, cerca de 300 pacientes atendidos no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) recebem, todos os meses, uma cesta básica e uma dúzia de ovos. A assistência é mantida pela Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brasília, instituição que atua há aproximadamente 25 anos.
A psicóloga da entidade, Ana Paula Soares Fernandes, explica que a perda ou a redução da renda aparece entre as dificuldades enfrentadas durante o tratamento. Há pacientes que precisam interromper temporariamente as atividades profissionais justamente quando as despesas e as preocupações familiares aumentam.
O cenário ganha um peso ainda maior entre aqueles que são responsáveis pelo orçamento doméstico. A Rede acompanha, por exemplo, mulheres que sustentam a família e precisam administrar simultaneamente o tratamento e as necessidades dos filhos.
É nesse contexto que a entrega mensal dos alimentos funciona como uma rede de apoio. Vera Alissa Silva de Souza, uma das pacientes beneficiadas, conta que ter a cesta garantida representa uma despesa a menos para administrar enquanto enfrenta a doença.
O auxílio atende tanto homens quanto mulheres que estejam em tratamento oncológico e em situação de vulnerabilidade. A quantidade de pessoas contempladas depende, porém, das contribuições recebidas pela instituição.
Novos pacientes são acrescentados ao programa conforme surgem doações suficientes para ampliar o atendimento. Depois de entrar no cadastro, cada beneficiário passa a retirar mensalmente a cesta básica e os ovos até o encerramento do ano.
A distribuição também é usada para manter a proximidade com quem recebe o auxílio. Nos dias marcados para a retirada, pão, manteiga e café são oferecidos aos pacientes. O encontro abre espaço para conversas com a equipe e para a identificação de outras demandas que possam surgir ao longo do tratamento.
Segundo Ana Paula, esse contato permite conhecer melhor a realidade dos assistidos e acompanhar dificuldades que vão além da necessidade de alimentação.
Quem estiver em tratamento contra o câncer e se enquadrar nos critérios de vulnerabilidade pode procurar diretamente a sala da Rede Feminina de Combate ao Câncer no Hospital de Base. Para solicitar o cadastramento, é necessário apresentar um documento de identidade e uma cópia da biópsia.
A inclusão não é automática e está condicionada à disponibilidade de doações. Atualmente, é justamente essa rede de contribuições que permite manter os alimentos chegando mensalmente às casas dos cerca de 300 pacientes atendidos.