Em decisão que altera os rumos da política ambiental e financeira do Distrito Federal, a governadora Celina Leão anunciou, nesta quarta-feira (1º de abril), a retirada da área da Serrinha do Paranoá do plano de capitalização do Banco de Brasília (BRB). A medida reverte uma proposta anterior e destina os 716 hectares da região para a criação de um Parque de Preservação Ambiental.
O anúncio, feito durante a inauguração de dois Centros de Educação da Primeira Infância (Cepis) no Recanto das Emas e no Riacho Fundo I, reflete uma mudança de diretriz após a intensa mobilização de grupos ambientalistas e a consulta a especialistas. A governadora enfatizou a prioridade dada à questão ecológica e também a fatores econômicos, argumentando que a manutenção do terreno no fundo imobiliário do banco poderia levar à desvalorização do ativo e desviar a atenção do processo de recuperação financeira da instituição.
A Serrinha do Paranoá é reconhecida por sua importância hídrica, abrigando mais de uma centena de nascentes que contribuem para o abastecimento do Lago Paranoá e do sistema de recursos hídricos da capital. Para formalizar a nova destinação, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e a Secretaria de Meio Ambiente foram acionados para delimitar os limites do futuro parque, com a expectativa de que o decreto de criação seja assinado nos próximos dias.
A decisão ocorre em um momento sensível para o BRB, que busca um aporte financeiro de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Paralelamente à definição sobre a Serrinha, a governadora busca apoio da União e da Caixa Econômica Federal para a estabilização do banco.
Em outro movimento estratégico para o ajuste fiscal, Celina Leão confirmou a nomeação de Valdivino Oliveira para o comando da Secretaria de Economia. A ele caberá a missão de revisar contratos e promover cortes orçamentários, em um esforço para reequilibrar as contas do Distrito Federal.
A criação do parque na Serrinha surge, portanto, como uma resposta a demandas socioambientais, ao mesmo tempo em que se insere em um contexto mais amplo de reestruturação financeira, tanto do BRB quanto da administração pública do DF.