A Polícia Militar do Distrito Federal(PMDF) tenta acelerar o ritmo de reposição de pessoal para conter um esvaziamento histórico que hoje deixa o policiamento com 11 mil agentes na ativa, diante de um quadro ideal de 17 mil vagas.
Em entrevista ao programa Vozes da Comunidade neste sábado(14/08), o comandante-geral da corporação, coronel Rômulo Flávio Mendonça Palhares, apontou um período de nove anos sem seleções e a velocidade das aposentadorias como os principais motivos para o déficit atual. Para solucionar o problema, o comandante confirmou que a banca Cebraspe já está contratada para organizar um próximo concurso público com a previsão de 2.000 vagas.
A estratégia imediata de recomposição prevê a formação de 1.234 novos policiais em andamento, além da expectativa de integrar outros 814 soldados até o final do ano. De acordo com Palhares, o reforço no contingente humano será acompanhado pela renovação logística da infraestrutura de segurança. A promessa do gestor inclui a colocação de 250 novas viaturas nas ruas até o mês de setembro, além de investimentos voltados à ampliação das redes de videomonitoramento e ao cronograma de implementação de câmeras nos uniformes dos agentes.
O comandante também usou o espaço para delimitar o papel da PMDF na abordagem a minorias e grupos vulneráveis, com destaque para a população em situação de rua na capital. Palhares defendeu que a vulnerabilidade socioeconômica não deve ser tratada sob a ótica da repressão criminal, separando a assistência social do trabalho policial. Contudo, reforçou que as patrulhas manterão o foco operacional no flagrante de crimes e no cumprimento de mandados de prisão em aberto que envolvam indivíduos nesse cenário, buscando equilibrar o ordenamento urbano e o respeito aos direitos civis.
Por fim, o comandante da corporação destacou a necessidade de descentralizar o policiamento para acompanhar o avanço imobiliário e o surgimento de novos bairros no Distrito Federal.
Essa expansão geográfica deve se apoiar em programas de vigilância participativa e no diálogo com conselhos comunitários locais. O Coronel colocou que a meta estrutural para os próximos meses é dar condições de trabalho ao público interno e modernizar as ferramentas tecnológicas, de modo que o cidadão perceba a presença do Estado sem que a polícia dependa apenas de táticas reativas.