A teimosia ideológica do Planalto cobrou um preço alto no Distrito Federal, e a conta caiu direto no colo de Leandro Grass. Sem desconto.
Ao transformar o socorro financeiro de R$ 6,6 bilhões ao BRB em um cabo de guerra eleitoral, o governo Lula achou que estava apenas emparedando Celina Leão. Foi um tiro no pé. Para quem mora em Ceilândia ou Taguatinga, o BRB não é um CNPJ distante; é onde o funcionário público pega o consignado, onde o pequeno comerciante busca capital de giro e a engrenagem que faz o dinheiro circular na cidade. Tentando asfixiar o Buriti por capricho partidário, o Planalto acabou tirando o fôlego do cidadão comum — justamente a base que o PT precisava reconquistar na capital.
O eleitor percebeu a jogada e reagiu nas urnas. A última pesquisa da Real Time Big Data mostra o tamanho do estrago: Celina aparece com 47% das intenções de voto (ou 52% dos votos válidos), o que praticamente liquida a fatura no primeiro turno.
Enquanto isso, Grass patina nos 26%, isolado e sem discurso. Afinal, como o candidato vai convencer o funcionalismo de que tem o melhor projeto, se o seu padrinho político trava o principal banco da cidade para fazer barganha? A militância até tenta desviar o foco criticando gestões passadas, mas esse argumento perde força diante do bolso vazio do trabalhador.
No fim das contas, Lula entregou o DF de bandeja para a oposição. O embate ruidoso contra os adversários locais acabou soando como desfeita com o brasiliense. Grass virou bucha de canhão em uma guerra que não era dele, defendendo um governo que preferiu ver a economia local travar a ceder espaço político. A fatura chegou, e o PT vai ter que pagar.