A decisão de fechar distribuidoras de bebidas durante a madrugada no Distrito Federal começa a mostrar efeitos concretos na segurança pública. Um ano após a entrada em vigor da regra, o número de homicídios caiu, e os dados apontam impacto direto nos crimes associados a esses estabelecimentos.
Entre abril de 2025 e março de 2026, foram contabilizadas 203 vítimas de homicídio, contra 220 no período anterior, o que representa uma redução de cerca de 8%. A medida, implementada em 31 de março do ano passado, proibiu o funcionamento das distribuidoras entre meia-noite e 6h, após estudos indicarem maior incidência de violência nesse intervalo, especialmente em locais ligados ao consumo de álcool.
O secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, avalia que os resultados confirmam a eficácia de ações estruturadas com base em dados e integração entre órgãos. Segundo ele, a prioridade da política é preservar vidas por meio de decisões firmes, monitoramento constante e atuação coordenada. Na avaliação do secretário, os números mostram avanço consistente no enfrentamento da violência.
Um dos indicadores mais simbólicos dessa mudança foi registrado em fevereiro de 2026, quando o DF teve apenas cinco homicídios, o menor número desde o início da série histórica, em 1977. O dado chama a atenção por ter sido registrado em um mês marcado pelo Carnaval, período tradicionalmente associado ao aumento da circulação de pessoas.
O subsecretário de Gestão da Informação da SSP-DF, George Couto, afirma que a restrição de horário foi resultado de análises técnicas que identificaram padrões de violência concentrados na madrugada. Ele explica que os dados apontavam aumento de conflitos interpessoais em cenários de consumo excessivo de álcool e drogas, o que levou à adoção da medida. Desde então, o comportamento dos indicadores vem sendo acompanhado de forma contínua.
Os reflexos mais expressivos aparecem justamente nos casos ligados às distribuidoras. Nos últimos 12 meses, as ocorrências de homicídios tentados e consumados, dentro ou nas proximidades desses pontos, caíram de 72 para 32, uma redução de 55%. Considerando apenas os registros durante a madrugada, a queda foi ainda mais acentuada, passando de 31 para 9 casos, o que representa diminuição de 71%.
Para Couto, o resultado evidencia a capacidade do poder público de transformar diagnóstico em ação prática. Ele destaca que a política foi construída a partir de análise de dados, planejamento e execução integrada, permitindo não apenas a implementação da medida, mas também o ajuste contínuo das estratégias com base nos resultados.
A operação que garante o cumprimento da norma é coordenada pela Subsecretaria de Operações Integradas, que articula diferentes órgãos do Governo do Distrito Federal. O subsecretário Carlos Melo ressalta que a atuação conjunta foi decisiva para consolidar a política no território, com ações planejadas e alinhamento entre as instituições.
Na prática, a fiscalização ganhou reforço com a atuação conjunta da Polícia Militar e do DF Legal. Desde que a restrição passou a valer, mais de mil irregularidades já foram registradas em estabelecimentos que descumpriram as regras.
Além de reduzir os crimes letais, a limitação do funcionamento das distribuidoras também impactou situações de desordem urbana, como barulho excessivo, aglomerações e conflitos em vias públicas. Para Avelar, agir sobre esses cenários é parte essencial da política de segurança, já que a prevenção também passa pela redução de ambientes que favorecem a violência e aumentam a sensação de insegurança da população.