O mapa do Distrito Federal está prestes a ganhar novos contornos oficiais. Em um movimento estratégico para descentralizar a gestão e acelerar a regularização de áreas densamente povoadas, a governadora Celina Leão, avançou com os processos para transformar o assentamento 26 de Setembro (Vicente Pires) e a região da Ponte Alta (Gama) nas mais novas Regiões Administrativas (RAs) do DF.
A mudança não é apenas nominal. Para os cerca de 11 mil moradores da 26 de Setembro e os 13 mil da Ponte Alta, a criação de uma Administração Regional significa a chegada de braços diretos do Estado. Na prática, isso facilita a destinação de orçamento para obras de infraestrutura, como asfalto e saneamento, além de viabilizar a construção de escolas e postos de saúde , equipamentos públicos que hoje dependem de administrações vizinhas.
Segundo a Secretaria de Governo, a iniciativa atende a uma demanda histórica de comunidades que cresceram em ritmo acelerado e agora buscam a consolidação urbana sob as diretrizes do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT).
O governo já definiu que a palavra final passará pelo crivo da população. Uma série de audiências públicas está programada para a primeira quinzena de maio, funcionando como o último estágio técnico antes do envio dos projetos de lei à Câmara Legislativa (CLDF).
Na Ponte Alta, debate ocorre no dia 11 de maio, com foco em conter o crescimento desordenado e garantir áreas de preservação.
No 26 de Setembro, o foco central será o cronograma de regularização fundiária, passo essencial para que os moradores obtenham as escrituras de seus imóveis.
Embora o anúncio traga otimismo, o desafio é complexo. Transformar essas áreas em RAs exige que o GDF equilibre o desenvolvimento urbano com a preservação ambiental, especialmente na Ponte Alta, conhecida por suas características rurais e de mananciais. Se aprovadas, as novas administrações representam um marco na tentativa do DF de formalizar seus territórios e levar dignidade habitacional a mais de 24 mil brasilienses.