A saúde pública ditou o ritmo e o tom das cobranças logo na abertura da série de sabatinas do DF1 com os candidatos ao Buriti. Na bancada da TV Globo, Celina Leão (PP) tentou conter o desgaste do principal gargalo do Distrito Federal jogando o peso do apagão de profissionais na baixa atratividade do mercado.
Ao ser confrontada sobre o excesso de contratos temporários na rede, a governadora sacou números de editais recentes para mostrar o desinteresse do setor privado: dos 114 médicos convocados para a atenção básica, só 34 apareceram, enquanto uma seleção para anestesistas terminou com um único candidato apresentado.
Celina usou o pouco tempo que tem no comando integral do Executivo para justificar as travas na concessão de reajustes, apontando o calendário eleitoral como barreira intransponível nos últimos meses, mas colocou a reformulação da carreira médica no topo das promessas de um eventual novo mandato. O fôlego financeiro da promessa veio carimbado com o plano de R$ 100 milhões para reformar 18 hospitais regionais e UPAs.
A postura defensiva se repetiu quando os jornalistas Heraldo Pereira e Natália Godoy tocaram em pontos sensíveis para a oposição, como os boatos sobre a saúde financeira do BRB — rebatidos de pronto com garantias de solidez do banco estatal.
Já na metade final da entrevista, o embate girou em torno do centro de Brasília. Celina endureceu o discurso ao defender a internação involuntária e a remoção de acampamentos informais na área central. Diante das críticas de higienização social, a candidata foi pragmática: afirmou que a desobstrução de mais de 410 pontos de ocupação (de um total de 450 mapeados) devolve o espaço público à população, argumentando que a assistência na ponta é garantida por programas como o Prato Cheio e o Vale Gás.
Líder nas pesquisas, Celina fechou os minutos finais mirando o eleitorado feminino, que hoje sustenta sua vantagem na corrida. A rodada de entrevistas da emissora segue nesta quarta-feira com a deputada Paula Belmonte (PSDB).