As urnas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos fecham nesta terça-feira, 3 de novembro, mas quem espera dormir sabendo quem vai controlar Câmara e Senado vai se frustrar.
Diferente do Brasil, lá não tem TSE. Cada um dos 50 estados conta do seu jeito, com regra própria.
Os primeiros estados começam a fechar as urnas às 20h de Brasília, em partes de Indiana e Kentucky. Os últimos só fecham às 3h da manhã de quarta-feira, no Alasca e no Havaí.
Parte do atraso é o volume de voto pelo correio. Mais de 56 milhões de americanos já votaram antes de hoje, mandando cédula pelo correio ou votando presencial antecipado. Só conferir assinatura e envelope já leva tempo.
A Califórnia é o caso mais emblemático. Por lei, o estado pode contar voto que chegar até sete dias depois da eleição, desde que tenha carimbo de hoje. Nas últimas eleições, algumas vagas mais disputadas da Câmara lá levaram até três semanas para ter vencedor confirmado. Arizona segue a mesma lógica de demora.
Alasca e Maine têm outro complicador: voto por escolha ranqueada. No Alasca, ainda aceita voto de quem mora fora até 15 dias depois. Se ninguém faz mais de 50% na primeira contagem, tem que refazer tudo reprocessando a segunda escolha do eleitor.
Sem apuração central, quem projeta vencedor é a imprensa, com modelo estatístico. Em 2022, o Senado só foi confirmado 4 dias depois da votação, a Câmara 8 dias depois. Em 2020, a projeção de presidente levou 4 dias. Essa demora, todo ano, vira combustível para fake news sobre fraude.
O que está em jogo hoje: as 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 do Senado e 36 governos estaduais. Hoje os republicanos têm maioria nas duas Casas. Para virar a Câmara, os democratas precisam de 3 cadeiras. Para virar o Senado, onde está 53 a 47 para os republicanos, precisam de 4.
Os eleitos só tomam posse em 3 de janeiro de 2027. Como cai num domingo, deve ir para o primeiro dia útil depois.