A possibilidade de compreender uma consulta médica, participar de uma entrevista de emprego ou resolver uma pendência em um órgão público pode parecer algo simples para a maioria das pessoas. Para muitos cidadãos surdos, porém, essas situações ainda representam desafios quando não há acessibilidade na comunicação. No Distrito Federal, a Central de Intermediação em Libras (CIL) tem ajudado a mudar essa realidade ao oferecer suporte especializado para garantir que a população surda tenha acesso pleno aos serviços públicos.
Mantida pela Secretaria da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal (SEPD-DF), a central atua como uma ponte entre usuários surdos e instituições, disponibilizando intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para acompanhar atendimentos presenciais, audiências, consultas, entrevistas de trabalho e outras demandas do cotidiano.
A procura pelo serviço demonstra a importância da iniciativa. Em 2025, a CIL realizou mais de 2,4 mil atendimentos. Somente entre janeiro e 9 de junho deste ano, já foram registrados mais de 1,1 mil acompanhamentos, número que evidencia a crescente necessidade de recursos de acessibilidade para a comunidade surda.
Para o secretário da Pessoa com Deficiência, Willian Cunha, a comunicação acessível é fundamental para assegurar o exercício da cidadania. Segundo ele, a central garante que as pessoas surdas possam acessar os serviços oferecidos pelo governo em igualdade de condições, fortalecendo a inclusão e ampliando oportunidades em áreas como saúde, educação e assistência social.
Entre os beneficiados está a vendedora Maria Izabel da Silva, de 44 anos. Usuária frequente da central, ela relata que o apoio dos intérpretes faz diferença, principalmente em situações que exigem maior atenção e compreensão. “Existem momentos em que precisamos compreender informações importantes e nem sempre conseguimos nos comunicar da forma adequada. Com a presença do intérprete, tudo fica mais claro, e temos mais segurança para tomar decisões”, afirma.
À frente da CIL, o diretor Waldimar Carvalho da Silva destaca que o trabalho desenvolvido pela equipe vai muito além da tradução da língua de sinais. “Nosso objetivo é garantir que a pessoa surda tenha acesso às informações necessárias para resolver suas demandas de forma independente. Muitas vezes, o atendimento envolve questões relacionadas à saúde, à documentação ou ao mercado de trabalho, situações em que a comunicação adequada é essencial”, explica.
Além dos atendimentos individuais, a central também participa de ações e eventos promovidos pelo Governo do Distrito Federal, contribuindo para ampliar a presença da acessibilidade em atividades institucionais e espaços de participação social.
O serviço funciona na Praça do Cidadão, localizada na Estação do Metrô da 112 Sul, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Os usuários podem procurar a unidade mediante agendamento ou por demanda espontânea para solicitar acompanhamento em diferentes tipos de atendimento.
A rede de acessibilidade do DF também conta com o aplicativo DF Libras, que oferece atendimento por videochamada com intérpretes 24 horas por dia. Ainda assim, o suporte presencial continua sendo indispensável para muitos usuários, especialmente em situações que envolvem documentos físicos ou para pessoas que enfrentam dificuldades no uso de ferramentas digitais.
Segundo Waldimar Carvalho, os dois serviços atuam de forma complementar para garantir que a comunidade surda tenha diferentes canais de acesso à informação. “A tecnologia amplia as possibilidades de atendimento, mas o contato presencial continua sendo essencial em muitas situações. O importante é que a pessoa surda encontre apoio sempre que precisar”, conclui.