Mesmo sem transmissão dentro do território, o Distrito Federal mantém a malária sob vigilância permanente. A data de 25 de abril, criada pela Organização Mundial da Saúde como marco global de enfrentamento à doença, reforça o alerta para um problema que continua circulando com o fluxo de pessoas entre regiões.
Na capital, todos os registros são classificados como importados. Em 2025, foram 29 casos confirmados. Sete pacientes precisaram de internação, mas todos tiveram recuperação completa. O número, embora controlado, não reflete sozinho a demanda da rede: ao longo do ano, foram investigadas 110 suspeitas, que resultaram em 211 atendimentos entre triagens e acompanhamento dos pacientes.
O gerente de Epidemiologia de Campo da Secretaria de Saúde do DF, Victor Bertollo, afirma que o padrão dos casos é claro. “A malária que aparece no DF não começa aqui. Na maioria das vezes, são pessoas que viajaram para a região amazônica, sobretudo áreas indígenas, ou para países africanos, como Angola, que registrou aumento de casos recentemente”, disse.
Ele também reforça que a ausência de transmissão local não reduz o nível de atenção. “Mesmo sem circulação da doença na capital, a rede precisa estar preparada o tempo todo. O atendimento especializado contínuo é o que garante diagnóstico rápido e tratamento adequado”, destacou.
Entre os 29 pacientes, 19 moravam no Distrito Federal, e dez vieram de outros estados: Goiás (3), Amazonas (3), Pará (1), Acre (1), Paraná (1) e Santa Catarina (1). Todos foram diagnosticados no DF. Os dados incluem dois idosos com mais de 60 anos, um adolescente entre 15 e 19 anos e uma criança de 5 a 9 anos. Os demais são adultos entre 20 e 59 anos.
A maioria dos casos foi registrada entre homens (22), enquanto sete ocorreram entre mulheres. As ocupações são variadas, passando por garimpeiros, servidores públicos, policiais, empresários, cineastas e geólogos.
A doença é causada por protozoários do gênero Plasmodium — como P. vivax, P. falciparum, P. malariae, P. ovale, P. knowlesi e P. simium — e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, conhecido como mosquito-prego, carapanã ou bicuda.
Não há transmissão direta entre pessoas, mas a infecção pode ocorrer em situações específicas, como transfusão de sangue contaminado, compartilhamento de agulhas ou da gestante para o bebê.
No DF, o atendimento é feito por uma equipe volante que atua tanto na rede pública quanto na privada. Após contato pelos telefones (61) 99145-6114 ou 99221-9439, os profissionais realizam a testagem. Confirmado o diagnóstico, o tratamento começa imediatamente, com uso de medicamentos antimaláricos ou terapias combinadas, e o paciente é acompanhado até a cura.
A recomendação das autoridades é que viajantes busquem orientação preventiva na Sala do Viajante do Hospital Regional da Asa Norte antes de se deslocarem para áreas com circulação da doença. Quem retornou dessas regiões nos últimos seis meses deve procurar uma unidade de saúde ao apresentar sintomas, informando sempre o histórico de viagem.