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Distrito Federal

Sandro Avelar diz que crime cibernético é epidemia impulsionada por IA e defende mudança em concurso policial

Amarildo Mota

Públicado

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Foto: Divulgação/VC

 

O ex-secretário de Segurança Pública do DF, em entrevista ao programa Vozes da Comunidade, comandado por Tony Duarte, afirmou nesta sexta-feira, 28, que fraudes bancárias e golpes pela internet crescem enquanto os crimes violentos caem no país. Para ele, o enfrentamento passa por selecionar nos concursos policiais perfis já qualificados em tecnologia.

“O crime cibernético vem sendo tratado por todas as autoridades como uma grande ameaça epidêmica, agora impulsionada pela inteligência artificial”, disse.

Questionado sobre os desafios, Avelar apontou a contradição nos números. “Enquanto os crimes violentos, os homicídios, as violências intencionais caem, as fraudes, sobretudo as fraudes utilizando o sistema bancário e a internet, explodem”, afirmou.

Segundo ele, o perfil da vítima mudou. Não são só idosos por ingenuidade. “Tem muita gente expert em tecnologia que ainda assim é vítima de fraudes cada vez mais bem elaboradas”, disse.

Para Avelar, as polícias precisam se adaptar desde a porta de entrada. Ele defende que Polícia Federal e polícias civis reservem um percentual de vagas em concurso para quem já tem bagagem em combate a crime cibernético.

“A gente tem uma certa arrogância de achar que vai selecionar o cara e preparar depois que ele entra na polícia. Eu acho que a gente já pode selecionar pessoas qualificadas para o combate ao crime na internet antes mesmo de ingressar”, afirmou. “Pode não ser o mais forte, o que faz 30 barras ou corre 2400 metros em 10 minutos, mas é o policial que já está qualificado para esse tipo de crime.”

Ele lembrou da trajetória em diferentes forças. “Sou delegado da Polícia Federal, mas me considero delegado da Polícia Civil também, me considero policial militar, bombeiro, policial penal, porque fui diretor do sistema penitenciário federal por muitos anos.” O ex-secretário se pronunciou, também , sobre a implementação do DF360, programa de videomonitoramento do Distrito Federal.

Segundo ele, o projeto começou na virada de 2013 para 2014 e só foi concluído em 2024, com a instalação das câmeras em Água Quente, a última região administrativa que faltava.

Avelar disse que o mais difícil não foi comprar ou instalar os equipamentos. “Instalar as câmeras tem custo, o processo licitatório dá muito trabalho, mas não era o mais difícil. O mais difícil era mudar a mentalidade e quebrar a reserva dos setores com seus bancos de dados”, afirmou.

Ele relatou que havia imagens de qualidade, mas sem integração. “Eu tenho uma imagem perfeita desse cidadão aqui à minha direita, a tecnologia me permitiu ter essa imagem perfeita, mas a falta de integração dos bancos não me deixava saber que essa imagem é do Josiel e que contra ele há um mandado de prisão.”

A virada, segundo ele, veio com a parceria da Polícia Civil. “Quero agradecer à Polícia Civil, que foi a grande companheira. Todo mundo falava: você jamais conseguirá fazer isso, é um sonho de décadas. Eu consegui porque tenho relação de confiança com a Polícia Civil.”

Nesse ponto, Avelar fez uma homenagem direta à governadora Celina Leão.

“E aí eu quero fazer uma homenagem à Celina Leão. Nós tínhamos 1.600 câmeras na Segurança Pública, mas precisávamos expandir. O programa que lancei em fevereiro vinha sendo construído há anos, mas dependia de um ato da governadora”, disse.

Segundo ele, Celina baixou um decreto determinando a integração das câmeras da Saúde e da Educação ao sistema da Segurança.

“Ela é corajosa e gosta da segurança pública. Ela baixou um decreto e determinou que as câmeras da Secretaria de Saúde e da Secretaria de Educação fossem integradas a esse grande programa. Com isso, saímos de 1.500 para 13 mil câmeras, porque além das públicas, estamos acessando as particulares e dos comerciantes”, afirmou.

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