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Distrito Federal

O custo político do clique: o revés de Ricardo Cappelli frente ao TRE

Amarildo Mota

Públicado

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Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

A tentativa de Ricardo Cappelli (PSB) de chacoalhar a disputa pelo Governo do Distrito Federal por meio de um vídeo manipulado, fake news, por inteligência artificial terminou em desgaste para o próprio autor. Ao mirar na governadora Celina Leão e em Ibaneis Rocha com uma simulação visual de fuga, o pré-candidato buscava criar um fato político avassalador. Colheu, em vez disso, uma ordem de remoção da Justiça Eleitoral que freou o ímpeto de sua comunicação digital e expôs os riscos de sua estratégia.

O prejuízo mais imediato foi a perda do controle da agenda pública. Cappelli vinha construindo uma oposição incômoda ao focar em temas espinhosos como a gestão da saúde e o uso do orçamento local. A canetada do tribunal mudou o eixo do debate, a discussão deixou de ser sobre os gargalos do governo e passou a girar em torno da ética e da legalidade dos métodos do PSB, empurrando o candidato para as cordas.

Esse movimento arranha justamente o maior ativo reputacional que Cappelli possui no Distrito Federal. Sua imagem pública foi moldada na sobriedade e no equilíbrio técnico demonstrados durante o período em que atuou como interventor da segurança na capital.

A associação de sua assinatura a uma peça publicitária punida por extrapolar os limites da crítica legítima choca-se com esse perfil de homem de Estado, afastando o eleitor moderado de centro. O erro de cálculo acabou por blindar os adversários e engessar os próximos passos do marketing da oposição.

Celina Leão e Ibaneis Rocha ganharam o pretexto ideal para unificar a base governista sob o manto da vitimização, alegando que os ataques carecem de propostas reais. Sob vigilância jurídica redobrada a partir de agora, a campanha de Cappelli tende a perder a ousadia, adotando um tom burocrático no momento em que ele mais precisava recuperar terreno nas pesquisas.

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