Quem lidera a corrida ao Palácio do Buriti sabe que a vidraça é proporcional ao tamanho da vantagem. No debate promovido pelo portal Metrópoles na última quinta-feira (10), a governadora Celina Leão (PP) sentiu na pele o peso de estar no topo das pesquisas: virou o alvo preferencial de uma oposição fragmentada, mas unida no propósito de desgastar a atual gestão, em detrimento às propostas concretas para um eventual mandato.
O que se viu no estúdio não foi um debate tradicional de propostas, mas uma arena de alta voltagem. Celina passou boa parte do tempo administrando o cronômetro para se defender de ataques que vinham de todos os flancos — desde as condenações do passado de José Roberto Arruda (PSD) até as investidas ideológicas de Leandro Grass (PT), que subiu o tom ao disparar que “quem roubou o BRB foi a direita”.
Mas o ápice do confronto — e que definiu o termômetro da noite — foi o embate direto entre Celina e Paula Belmonte (PSDB). O clima azedou logo no primeiro bloco. Quando Belmonte tentou encurralar a governadora questionando uma licitação de R$ 1,4 milhão envolvendo empresas de sua família, Celina não recuou. Pelo contrário: usou o tempo de resposta para expor uma fragilidade da adversária, cobrando publicamente uma dívida de R$ 1 milhão de uma instituição ligada à família de Paula junto ao Banco de Brasília (BRB).
A reação de Belmonte, um sincero e desconfortável “E quem não deve?”, ilustra bem o tom do debate. Foi um vale-tudo onde Celina Leão precisou calibrar, minuto a minuto, a postura de vidraça e de estilingue.
A pressão sobre a governadora foi tão intensa que a banca jurídica do evento, presidida pelo desembargador Roberval Belinati, teve que intervir sucessivas vezes. Só no primeiro bloco, a agressividade dos candidatos gerou um recorde de sete direitos de resposta. O nervosismo era tamanho que as regras de bastidores evaporaram: Celina e Ricardo Cappelli (PSB) chegaram a ser flagrados usando celulares nos púlpitos, quebrando o protocolo do programa.
Ao final do encontro, ficou claro que a estratégia da oposição é transformar a campanha em um cerco implacável contra a, também, candidata à reeleição. Resta saber se o eleitor do Distrito Federal vai enxergar o bombardeio contra Celina como uma cobrança justa de gestão ou como um ataque orquestrado. A resposta, como sempre, está no humor das urnas que, por sinal, vem sendo amplamente favorável para Celina, conforme às últimas pesquisas de intenção de votos.