A governadora Celina Leão admitiu que a saúde pública do Distrito Federal enfrenta falhas estruturais históricas. Em entrevista nesta sexta-feira (25) ao programa Vozes da Comunidade, conduzido por Toni Duarte, a gestora afirmou que a rede atual simplesmente “não se fala”.
Para tentar resolver o problema, o governo está licitando um prontuário eletrônico unificado. A ferramenta vai integrar os dados do paciente desde o posto de saúde até os hospitais de alta complexidade.
Hoje, a falta de tecnologia gera o que Celina chamou de “fila suja” na regulação. O Estado perde tempo tentando localizar pacientes que mudaram de telefone, saíram da fila ou resolveram o problema na rede particular.
O deficit de pessoal é o maior desafio. Mesmo com a nomeação de 1.900 médicos na gestão, o governo perde a disputa para o mercado privado.
No último concurso para a atenção primária, o cenário ficou claro: das 114 vagas abertas para médicos, apenas 34 candidatos aceitaram tomar posse. Por causa disso, Celina defendeu a revisão urgente do plano de cargos e salários da categoria.
Questionada sobre o tamanho das filas, a governadora rechaçou discursos eleitorais fáceis. “Nenhum candidato que fala em zerar fila está falando a verdade”, disparou Celina, explicando que a demanda é flutuante e diária. Para ela, a meta real deve ser garantir um “tempo digno de espera” de acordo com a gravidade do paciente.
Como saída imediata para exames e cirurgias de média e baixa complexidade, o GDF comprou procedimentos na rede privada por meio do programa SUS Candango. Até agora, o balanço é de 200 mil consultas e mil cirurgias realizadas na rede complementar.
Na parte de infraestrutura, o governo promete aplicar R$ 100 milhões em reformas e na compra de 13 novos tomógrafos. O plano quer acabar com uma situação crônica: o transporte de 500 pacientes por mês que cruzavam as rodovias do DF de ambulância apenas para fazer um exame de imagem em outra unidade.
Agora, cada hospital regional terá seu próprio aparelho.
Celina também citou a intervenção de emergência na cozinha do Hospital de Base. Após ver imagens da precariedade do local pela televisão, ela foi fiscalizar o espaço pessoalmente e mandou fechar o setor para obras.
A nova estrutura provisória já funciona na área externa e a reforma definitiva deve ser entregue em 45 dias.
Para a ponta do atendimento de urgência, a promessa é entregar sete novas UPAs, cinco delas ainda este ano, em regiões como Águas Claras, Taguatinga, Águas Quentes e Estrutural, ampliando a capacidade para 700 mil pessoas.
Por fim, a governadora confirmou que a regulação de leitos do DF está sendo integrada ao sistema de Goiás por determinação do Ministério Público, tentando ordenar o fluxo de pacientes que chegam do Entorno.