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Distrito Federal

Ceilândia vira o centro do debate político no DF: Celina Leão enfrenta sabatina dos rivais em noite de cobranças sobre saúde e gestão

Amarildo Mota

Públicado

em

Ricardo Cappelli e Celina Leão - Foto: Reprodução

 

A vitrine política do Distrito Federal ganhou um novo ponto de observação na noite deste domingo (09/08). Longe dos tradicionais estúdios do Plano Piloto, os seis principais postulantes ao Palácio do Buriti se reuniram no teatro do Sesc, em Ceilândia, para o primeiro debate televisivo destas eleições, transmitido pela Band Brasília. A mudança de endereço para a região administrativa mais populosa da capital deu o tom do encontro: uma cobrança direta por serviços públicos eficientes e respostas para a população. No centro do debate, a atual governadora Celina Leão (PP) assumiu o papel que a liderança nas pesquisas e a exposição governamental costumam impor.

Ela foi a candidata mais interpelada e o alvo principal das investidas dos demais candidatos, que tentaram usar o microfone para encurralar a gestão atual. A tônica da noite, contudo, ficou marcada pela postura adotada pela governadora: em vez de reagir com o habitual tom inflamado dos palanques, Celina escolheu responder de forma calculada, mantendo o foco em dados e na defesa de suas entregas.

O problema da saúde em debate

Os momentos de maior tensão da noite convergiram para a situação dos hospitais públicos. O candidato Ricardo Cappelli (PSB) e o petista Leandro Grass abriram frentes de questionamento sobre as filas em consultas e o tempo de espera por cirurgias eletivas. Cappelli tentou carimbar a saúde como o ponto de colapso do governo atual.

Na resposta, Celina Leão evitou o confronto puramente ideológico. Ela pontuou que o sistema de saúde do DF enfrenta pressões estruturais históricas e rebateu as críticas listando a abertura de novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e as convocações recentes de concursados para a rede pública.  “Investi mais de R$ 60 milhões, desde que virei governadora, nos hospitais.” A estratégia foi clara: desviar o debate da retórica da crise e puxar o eleitor para o campo das ações de engenharia pública e infraestrutura realizadas no mandato.

Bancos, finanças e o controle de tempo

Outro bloco que exigiu jogo de cintura da governadora envolveu a gestão do Banco de Brasília (BRB) e o uso do orçamento do DF, temas levantados tanto pela esquerda quanto por Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo). A oposição buscou fragilizar a credibilidade da administração financeira do DF. Com o novo formato de tempo dinâmico adotado pela Band, onde o candidato administra seus próprios minutos na tela, Celina não desperdiçou energia com réplicas longas voltadas aos ataques pessoais dos concorrentes. Ela concentrou o tempo para detalhar que os investimentos em mobilidade e a expansão de programas sociais dependem do equilíbrio fiscal que sua equipe econômica defende.

Quando confrontada por José Roberto Arruda (PSD) sobre a necessidade de mais investimentos em transporte, a governadora manteve a linha defensiva, argumentando que as obras de infraestrutura ininterruptas já visam sanar problemas de fluxo entre as regiões administrativas e o centro da capital.

O diálogo com o eleitorado feminino

Se na maior parte do tempo Celina Leão operou como retaguarda contra os ataques dos rivais masculinos, seu momento mais ativa ocorreu no enfrentamento com Paula Belmonte. Ao formular suas perguntas, a governadora preferiu não espelhar as críticas de gestão que vinha sofrendo. Em vez disso, direcionou o debate para a pauta social, cobrando propostas sobre a rede de proteção às mulheres e o combate à violência doméstica no DF.

Ao trazer o tema para o centro do palco, Celina buscou dialogar diretamente com uma grande parte do eleitorado, reforçando sua identidade como a primeira mulher a comandar o Executivo local de forma efetiva e tentando se contrapor à imagem puramente técnica ou administrativa que os adversários tentaram lhe jogar.

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