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Distrito Federal

Caso Master escalona e atinge núcleo do Planalto, expõe crise no PT e isola deputado Rollemberg

Amarildo Mota

Públicado

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Foto/Pedro França/Agência Senado

 

Essa reportagem é baseada em ampla investigação do jornalista Tony Duarte, publicada no Portal Radar DF, que detalha a “teia” em que se envolveu Rollemberg. O parlamentar, ao articular 171 assinaturas para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar as operações do Banco Master, acreditava conter o fogo no âmbito distrital. O plano, no entanto, saiu pela culatra.

O que era para começar como uma tentativa de  investigação parlamentar local,  sobre , segundo as investigações , uma  fraude bilionária no Banco Master, transformou-se em uma crise política de alcance nacional, expondo supostos vínculos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e as mais altas esferas do governo Lula. A escalada do caso, que agora ameaça envolver diretamente o Palácio do Planalto, silenciou a esquerda brasiliense e deixou o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), principal articulador da CPI, politicamente isolado e, segundo análises, arrependido.

O caso ganhou contornos nacionais quando veio à tona que o escândalo, inicialmente circunscrito ao Distrito Federal e a uma tentativa de compra de ativos pelo BRB, havia, na verdade, “estourado no colo do Planalto”, nas palavras da análise publicada. A revelação que mudou o jogo foi a de encontros sigilosos realizados no gabinete presidencial, envolvendo o presidente Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro.

As reuniões, conforme apurado, foram articuladas pelo ex-ministro da fazenda Guido Mantega, que à época recebia R$ 1 milhão mensais como “consultor” do Banco Master. Outro nome de peso ligado ao banco é o do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, também beneficiado com uma “mesada” da instituição. Participaram ainda de encontros o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).

Nos bastidores, o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, é apontado como o “padrinho” da indicação de Mantega ao Master, uma nomeação que, segundo relatos, teria servido para saldar uma antiga “dívida de gratidão”.

O impacto das revelações foi imediato e paralisante. A orientação interna do PT, segundo as fontes consultadas, passou a ser a de “descolar” o presidente Lula do escândalo a qualquer custo, temendo danos irreversíveis em pleno ano eleitoral. Parlamentares que haviam apoiado a CPI, como a deputada Erika Kokay (PT-DF), recuaram publicamente.

A esquerda do DF, antes vocal através de nomes como os deputados Chico Vigilante (PT), Gabriel Magno (PT) e Fábio Félix (PSOL), adotou um “silêncio sepulcral”. As revelações sobre os encontros no Planalto funcionaram como uma mordaça. “Ninguém quer cutucar o vespeiro que liga Vorcaro diretamente ao núcleo do poder petista”, analisa a matéria de referência.

No centro do furacão, Rodrigo Rollemberg vive o que a reportagem classifica como um “arrependimento clássico da política: o de ter ido longe demais”. Isolado, o deputado teria sido aconselhado pelo próprio vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e por sua cúpula partidária com um direto: “mexa com isso não, meu filho!”

O caso Master coloca o governo Lula em um contraste inevitável. O presidente, que recentemente condenou publicamente “maracutaias” como as atribuídas ao Banco Master, vê seu nome e o de seus principais ministros associados ao que já é chamado por alguns setores de “o maior golpe financeiro da história do país”.

A pergunta que paira no ar, e que a CPI proposta por Rollemberg buscaria responder, torna-se cada vez mais incômoda: o que buscava o banqueiro Daniel Vorcaro em reuniões sigilosas no coração do poder federal, senão proteção, influência ou favores?

Com o holofote agora firmemente direcionado para o Planalto, o caso Master deixou de ser uma investigação regional. Ele ameaça engolir, além do banco e de seus executivos, a própria cúpula do governo em um momento crítico de sua gestão. Enquanto isso, na capital federal, reina um silêncio eloquente, quebrado apenas pelo estalo das teias que se fecharam ao redor de quem tentou investigá-las.

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