A sabatina realizada pelo Correio Braziliense nessa terça-feira (11/08) com os candidatos ao governo do Distrito Federal, expôs mais do que um plano de governo para o DF; expôs a estratégia da governadora Celina Leão (PP) de construir uma identidade política cada vez mais própria, desvinculada de heranças e focada em respostas diretas para temas de alta interação social.
O ponto crucial da entrevista girou em torno da população em situação de rua. Ao defender a internação involuntária humanizada, Celina não recuou diante das críticas de setores da esquerda. A governadora mapeou o problema em mais de 500 pontos críticos no DF e sustentou que a medida conta com forte apoio popular, sinalizando que a eficácia prática, a seu ver, sobrepõe-se ao debate ideológico.
Na área econômica, o discurso foi pontuado entre a contenção de danos e a promessa de austeridade. Sobre o futuro do BRB, a governadora Celina descartou riscos de liquidação argumentando que o banco custodia a previdência dos servidores, e apostou no diálogo com o Fundo Garantidor de Crédito e o governo federal. Para equilibrar as contas, a receita apresentada foi imediata: corte de 25% nos contratos e a transferência do gabinete do Buriti para o Centrad. O movimento mais significativo da noite, no entanto, foi o distanciamento de figuras e gestões anteriores.
Ao aflorar os problemas do Ideb na rigidez dos critérios locais de reprovação e ao culpar o descontrole orçamentário do antecessor pelo déficit atual, Celina buscou reescrever sua posição nessa linha que atualmente está posta, que não é de agora. A linha divisória ficou ainda mais evidente no ataque ao ex-governador José Roberto Arruda.
Ao rejeitar comparações jurídicas e ironizar o desconhecimento técnico do rival, Celina Leão foi dura com José Roberto Arruda, ela falou: ” O Arruda, ele tenta se livrar do seu passado se comparando com as pessoas” e continuou “é um absurdo ele se comparar comigo” e explicou “até porque a vida do Arruda foi inteira mentindo e pedindo perdão à população de Brasília, tentando retornar.” Por fim, Celina tentou fechar as portas para o rótulo de mera continuidade, vendendo-se como um projeto novo, consistente e autônomo para a capital federal.