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Distrito Federal

O tiro no pé da Globo e o palanque de graça para a oposição no DF

Amarildo Mota

Públicado

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Foto: Reprodução/ TV Globo

Quem sintonizou a TV Globo na noite de terça-feira esperando um debate de alto nível sobre o futuro do Distrito Federal assistiu, na verdade, a um roteiro ensaiado e previsível.

Com a ausência cirúrgica da governadora Celina Leão (PP) — que lidera as pesquisas e não quis virar saco de pancadas na reta final —, a emissora acabou entregando o horário nobre de bandeja para um festival de ataques unilaterais. A decisão de Celina de deixar a cadeira vazia não foi um blefe de última hora; a cúpula da TV dos Marinhos já sabia da recusa há dias.

Mesmo assim, preferiram manter o formato engessado de sempre, abrindo o microfone para que Kiko Caputo, Leandro Grass, Paula Belmonte e Ricardo Cappelli fizessem uma espécie de “tribunal do júri” sem réu e sem direito a contraditório imediato. O resultado foi um show de acusações que beirou a injúria, bem longe de um debate democrático de ideias.
Esse episódio só escancara o que muita gente já aponta nos bastidores: a linha editorial da emissora parece mais preocupada em moldar narrativas e desgastar candidatos de direita e centro-direita do que em cobrar propostas reais da oposição.

Em vez de exigir soluções para a saúde ou o transporte de Brasília, a condução do programa permitiu que o estúdio virasse um puxadinho de campanha dos adversários.

No fim das contas, a tentativa da Globo de encurralar a governadora acabou esvaziando o próprio evento, deixando o eleitor com a nítida sensação de que o jornalismo deu lugar ao espetáculo político.

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