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Distrito Federal

O peso do barulho político: Bia Kicis desprestigia blogueiros

Amarildo Mota

Públicado

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Foto: Pablo Valadares/ Agência Câmara

 

Com a indicação de Bia Kicis ao comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em 2021, inaugurou-se um dos períodos mais tensos do parlamento brasileiro. Sob investigação no Supremo Tribunal Federal e enfrentando forte resistência da oposição, a deputada assumiu o colegiado mais importante da Casa.

Suas sessões foram marcadas por embates duros e acusações de que sua liderança priorizava uma pauta estritamente ideológica e centralizadora, em detrimento do debate técnico tradicional da comissão. A  coisa ficou feia quando a parlamentar utilizou suas redes sociais para endossar o episódio trágico de um policial militar baiano alvejado após um surto armado em Salvador. Ao classificar o soldado como herói e sugerir que ele havia tombado por se recusar a cumprir ordens sanitárias estaduais, Kicis se alinhou  abertamente com a insurreição das forças de segurança.

A reação  foi imediata de  governadores e parlamentares que repudiaram a postagem, o que a obrigou a apagar o texto e enfrentar pedidos de cassação no Conselho de Ética.

O histórico de constantes e continuados confrontos ganhou um novo capítulo na recente convenção do PL no Distrito Federal, que oficializou sua candidatura ao Senado. O que deveria ser uma posição de unidade partidária tornou-se em um cenário de exclusão que revoltou a base política local.

Relatos dos bastidores apontam que, por determinação da organização ligada à deputada, as portas do evento foram praticamente fechadas para os blogs e portais de notícias independentes da capital, enquanto grandes redes de televisão receberam trânsito livre e privilégios de cobertura. A estratégia de isolamento acabou por retirar a harmonia interna da própria legenda. Além do empecilho imposto à imprensa regional, deputados distritais que tentavam a reeleição foram, também , retirados do palco principal para não abalar  o protagonismo de nomes selecionados pela cúpula.

O desprestígio gerou revolta imediata, com aliados ameaçando abandonar o palanque em meio ao evento. Ao tentar  calar a boca dos  canais periféricos que costumam divulgar suas próprias bandeiras, a condução de Kicis deixou um rastro de ressentimento e colocou em xeque sua real capacidade de costurar consensos para representar o Distrito Federal.

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