Os eleitores da capital federal carregam uma memória política que as sucessivas trocas de comando não apagam.
Para uma parcela expressiva dos brasilienses, falar da trajetória recente da esquerda no Distrito Federal aciona um histórico de frustrações administrativas. Essa percepção se apoia em marcas deixadas no governo de Agnelo Queiroz, entre 2011 e 2014, e que se fazem presentes nos debates deste segundo turno.
O ponto de partida desse descontentamento é o encerramento de 2014. Quando o PT deixou o Palácio do Buriti, o cenário de transição foi dramático. Um grande deficit financeiro, cofres vazios e o funcionalismo com salários e benefícios atrasados ou parcelados. Uma crise fiscal que imobilizou o governo seguinte por anos.
A reconstrução do Estádio Nacional Mané Garrincha para a Copa do Mundo gerou investigações de superfaturamento e pesou sobre a imagem da gestão devido aos custos bilionários.
No mesmo caminho, o Centro Administrativo, o Centrad, em Taguatinga, erguido via Parceria Público-Privada, criou impasses jurídicos e operacionais. Ficou desocupado por quase uma década e se transformou em um enorme elefante branco.
Hoje, no centro da corrida eleitoral de 2026, a oposição progressista volta a ser alvo de críticas pesadas, agora centralizadas na figura de Leandro Grass, do PT, que disputa o segundo turno contra Celina Leão, do PP.
A contestação ao seu perfil administrativo não vem do governo local, mas da sua recente passagem pela presidência do Iphan, cargo do qual se desligou em abril de 2026 para disputar a vaga ao governo do DF.
Durante o período no comando do órgão federal, Grass enfrentou forte resistência de setores do empresariado, da construção civil e de parlamentares governistas do DF.
Críticos locais acusam sua gestão de impor um rigor técnico e burocrático excessivo nas diretrizes de tombamento de Brasília, gerando barreiras que, segundo o setor produtivo, dificultaram ou levaram a justiça obras de infraestrutura, expansão habitacional e desenvolvimento urbano propostas pelo governo do DF.
Entre as contas fiscais do passado e as conversações sobre o desenvolvimento da cidade agora e para o futuro, o eleitor do DF avalia o tamanho do custo político. Para a ala que enxerga o histórico do grupo como um entrave administrativo, as memórias do governo Agnelo e as queixas sobre o rigor burocrático, que causou uma espécie de inércia no Iphan servem como os principais argumentos de rejeição ao projeto da oposição nas urnas. Recentemente um programa de notícias aqui do DF, ironizou que o Leandro Grass, não conseguiu resolver nem o problema das pedras portuguesas na Praça dos Três Poderes.