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Distrito Federal

Na reta final das eleições, um fato tem chamado atenção, a traição de Paula Belmonte aos seus eleitores, declarando apoio a petista Érica Kokay.

Amarildo Mota

Públicado

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Foto: Reprodução

 

 

Não foi um aceno. Foi um vídeo, gravado, postado e assumido. Na sexta-feira, a dois dias da urna, a candidata ao Buriti pelo PSDB apareceu para pedir voto para Erika Kokay ao Senado. Quem sempre se vendeu como voz da direita do DF, da CPI do BNDES, do discurso anti-PT, de repente fala em “competência e compromisso” vinda justamente do PT.

O eleitor que acompanhou a Paula de 2019 a 2022 ficou sem entender nada. E com razão.

Política não é sobre gostar ou não gostar de uma pessoa. É sobre projeto. O eleitor que vota em Paula Belmonte hoje vota esperando freio ao PT, não ponte para o PT. Vota esperando oposição, não aliança envergonhada na reta final.

O que ela fez deixa a base desconcertada porque desmonta o próprio palanque. Como explicar para o eleitor de centro e de centro-direita que combateu o petismo nos últimos anos que agora ele deve ajudar a eleger uma senadora do PT? Não explica. Só trai a expectativa que ela mesma criou.

E deixa a política abobalhada também. Ninguém entendeu o cálculo. Se era para acenar à esquerda, por que esperou a última hora? Se era gesto de grandeza democrática, por que justamente com quem simboliza o oposto do que ela diz defender? No meio político de Brasília, a leitura é uma só: desespero. Quem está com 10% nas pesquisas tenta chamar atenção de qualquer jeito, mesmo que seja implodindo a própria coerência.

Paula jogou fora o seu maior capital, que era a clareza. Até quem não votava nela sabia o que ela representava. Agora ninguém mais sabe.

Democracia é conviver com o diferente, sim. Mas democracia também é ter palavra. E na hora que mais precisava mostrar firmeza, Paula preferiu o malabarismo.

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