A poucos dias do segundo turno, Leandro Grass decidiu fazer o impensável para um candidato do PT: enterrar o vermelho e esconder a estrela. O número 13, que por décadas foi símbolo da esquerda no país, agora aparece pintado de laranja nas peças de campanha.
Não é mudança de posicionamento. É maquiagem. E das mais desesperadas.
Grass sabe que carrega uma rejeição histórica no DF que não se resolve com discurso. Então apostou num truque de marketing velho: esconder a legenda para tentar enganar o eleitor de centro. Como se trocar a cor fosse apagar 40 anos de história do partido.
O problema é que essa conta não fecha em lugar nenhum. O eleitor moderado, que ele tanto tenta fisgar com essa fantasia de centro, não é bobo. Sabe muito bem quem é o PT e o que o 13 representa. E quando percebe o disfarce, a sensação é de oportunismo puro.
Já na outra ponta, o estrago é ainda maior. A militância raiz, aquela que carregou bandeira, que fez campanha debaixo de sol, se vê traída. É o apagamento da própria história em troca de um pragmatismo vazio. É dizer, na prática, que tem vergonha do próprio partido para tentar ganhar voto.
No fim, Grass consegue o pior dos dois mundos: não convence o centro, porque soa falso, e desanima a base, porque soa como traição.
Quando um candidato precisa esconder as próprias cores para pedir voto, não é estratégia. É atestado de que a campanha faliu ideologicamente.