O Governo do Distrito Federal colocou os dados no centro da estratégia de segurança e tenta virar o jogo contra a criminalidade com decisões mais precisas. O movimento ficou evidente nesta terça-feira (24), com a apresentação do 2º Anuário de Segurança Pública, que detalha como o crime tem se comportado na capital.
O material revela uma mudança importante no cenário: os homicídios estão cada vez mais ligados a desentendimentos entre pessoas, e não necessariamente a ações do crime organizado. Outro ponto que chama a atenção é o aumento do uso de armas brancas nesse tipo de ocorrência.
A leitura interna é direta: só reforçar o policiamento já não é suficiente. A tendência agora é ampliar ações de prevenção, investir em mediação de conflitos e atuar de forma mais direcionada nos territórios.
A vice-governadora Celina Leão afirmou que os resultados recentes mostram que o modelo adotado vem funcionando, mas ainda exige ajustes constantes. “Os números comprovam que o trabalho tem dado retorno, mas segurança não permite acomodação. A gente precisa evoluir o tempo todo, com integração e presença real nas regiões”, disse.
Já o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, destacou que o DF passou a tratar a informação como ferramenta estratégica, e não apenas como estatística. “Hoje, a decisão não é tomada no escuro. A gente analisa, planeja e age com base no que os dados mostram. Isso dá mais eficiência e melhora a resposta para a população”, afirmou.
Ele também fez questão de reforçar que o resultado não depende de uma única instituição. “Quando cada órgão atua isoladamente, o impacto é limitado. Quando há integração, o resultado aparece de verdade. Segurança é construção coletiva”, completou.
Entre os dados positivos, o anuário aponta redução em crimes como roubos no transporte coletivo e no comércio, além de aumento nas prisões em flagrante em casos graves, sinal de resposta mais rápida das forças de segurança.
Outro destaque é a manutenção de baixos índices de mortes em ações policiais, resultado associado a protocolos mais rígidos e à valorização do uso proporcional da força.
Apesar disso, o levantamento também traz pontos de atenção. A mudança no perfil das vítimas, especialmente em grupos mais vulneráveis, reforça a necessidade de políticas que vão além da segurança tradicional e envolvam outras áreas do governo.
Para o delegado-geral da Polícia Civil, José Werick, o anuário funciona como um “mapa” para decisões mais acertadas. “Não é só um relatório. É um instrumento que mostra onde avançamos e onde precisamos agir com mais força e inteligência”, afirmou.
Na mesma linha, o subsecretário George Couto destacou o salto técnico do material. “A gente passou a enxergar melhor o comportamento do crime. Com isso, conseguimos agir com mais precisão e evitar decisões baseadas em percepção”, disse.
O lançamento também marcou a abertura do 1º Simpósio Qualis de Dados e Informações de Segurança Pública, que segue até o dia 26, reunindo especialistas e profissionais da área.
No pano de fundo, o recado é claro: o DF tenta sair do modelo reativo e apostar em inteligência, leitura de cenário e atuação coordenada para enfrentar uma criminalidade cada vez mais complexa.