Faltou muito pouco. Poucos votos nominais mudando de lado separaram a governadora Celina Leão (PP) de encerrar a fatura da reeleição no último domingo.
Ao fechar a apuração com 49,93% dos votos válidos, o equivalente a 825.530 eleitores, ela viu a vitória imediata escapar por uma mínima diferença. Agora, a campanha para o 2° turno recomeça para o dia 25 de outubro.
Nos corredores do Palácio do Buriti, a ordem é conter qualquer sinal de salto alto e partir para o ataque contra Leandro Grass (PT), que carimbou o passaporte para o segundo turno com 34,47%.
Quem circulou pelo comitê governista na manhã de segunda-feira percebeu que o clima não era de tristeza mas de ânimo puro. O estilo de Celina não comporta lamentações; ela é movida a movimentos rápidos.
Menos de 24 horas após a abertura das urnas, a governadora já costurava reuniões com caciques partidários, deputados eleitos e lideranças regionais para redefinir o mapa da disputa.
A estratégia para as próximas semanas vai além do corpo a corpo tradicional e se divide em frentes muito bem desenhadas. A primeira delas é ideológica.
Celina não pretende gastar energia negociando apoios unilaterais. O plano é nacionalizar o debate e empurrar Leandro Grass para o isolamento, transformando a disputa em um embate direto entre “a direita e a esquerda” em um Distrito Federal que, historicamente, tende ao conservadorismo.
A segunda estratégia mira o eleitorado que simplesmente ignorou as urnas. As mais de 426 mil abstenções registradas na capital representam um contingente maior do que a diferença real entre os dois candidatos.
O diagnóstico dos marqueteiros é claro: o foco mudou. O esforço agora não é convencer o indeciso na base do discurso inflamado em rede social, mas sim tirar de casa o cidadão que preferiu o silêncio ou a indiferença no dia 4 de outubro.
O foco total se desloca para o trabalho de base nas cidades-satélites.
O comitê governista tenta administrar o cansaço com o conforto das pesquisas prévias. Levantamentos de institutos que já haviam testado o cenário de segundo turno entre os dois finalistas, sempre apontaram uma dianteira confortável para a atual ocupante do cargo.
A meta interna é usar esses dados para injetar confiança na militância e projetar uma imagem de estabilidade, contrastando com o imenso esforço que o candidato do PT tem pela frente para reverter o quadro.
O que se desenha em Brasília para as próximas três semanas é uma candidata que conhece o tamanho da máquina que tem nas mãos, mas sabe que qualquer erro de cálculo pode ser fatal.
Celina Leão tem o tempo, os recursos e a liderança numérica a seu favor. O desafio é converter essa vantagem teórica em votos reais daqui a vinte dias.