Faltando 4 dias para o segundo turno, o PT encontrou a fórmula para tentar mudar à força o cenário que as urnas já desenharam: uma greve sem pauta clara, sem urgência e sem qualquer justificativa que explique por que parar o os professores exatamente agora.
O movimento, deflagrado na última semana da campanha, escancara o desespero de um projeto que não decolou. Sem conseguir apresentar propostas que convençam o eleitor brasiliense, o partido optou pelo caminho do tumulto, apostando na paralisação de serviços essenciais para criar uma sensação artificial de caos e desgaste para a gestão atual.
O próprio candidato ao Palácio do Buriti pelo PT, Leandro Grass, fez questão de se apresentar no ato de paralisação dos professores da rede pública para referendar a mobilização e atrelar sua campanha à greve. A presença no palanque grevista confirma o que todo o DF já percebeu: não se trata de luta por categoria, mas de estratégia eleitoral para tumultuar a semana decisiva.
De acordo com aliados do governo, a manobra tem ainda um componente de ataque direto. Ao defender o direito de organização da categoria, Grass tenta colar no governo a pecha de autoritário, alegando que o Executivo tenta silenciar manifestações de professores e estudantes que divergem da gestão de Celina Leão. Na prática, é a velha cartilha petista de inverter papéis e se colocar como vítima às vésperas da eleição.
O timing não deixa dúvidas. Todas as pesquisas sérias, internas e públicas, apontam para um cenário consolidado de vitória de Celina Leão no próximo domingo. Diante da derrota iminente, o PT tenta a última cartada: melar o jogo, travar a cidade e transformar a insatisfação pontual de um setor em crise geral.
Quem paga a conta, como sempre, é a população, os pais que precisam deixar os filhos na escola, e servidores que não compactuam com o uso político da greve viram reféns de uma paralisação que tem dono, sigla e interesse eleitoral bem definido.
O eleitor do Distrito Federal já entendeu o recado. Não vai ser no grito, nem na baderna de última hora, que o PT vai reverter a vontade já manifestada, segundo todas as pesquisas eleitorais, e nas ruas, de que é Celina quem deve comandar o DF pelos próximos quatro anos.